
De tempos em tempos, surge um filme contemporâneo de uma obra clássica que aparece para conversar com o seu tempo. Se na minha adolescência a Sofia Coppola já fazia isso com “Maria Antonieta”, hoje a diretora visionária dessa geração é a Emerald Fennell. O seu “Morro dos Ventos Uivantes” é meio pesado, mas estranhamente divertido. É basicamente uma fanfic de luxo: ela pega o universo da Emily Brontë e cria algo novo, visualmente absurdo. O filme foca naquela fúria de Heathcliff e Catherine, almas gêmeas gritando contra o destino, e ignora o resto — o que, pra ser sincero, deixa o ritmo muito mais dinâmico. A Fennell não economiza no estilo: cores saturadas e uma direção de arte impecável. Ver a Catherine num vestido vermelho sobre um chão xadrez é de cair o queixo! Os figurinos da Jacqueline Durran são puro drama e a Hong Chau entrega tudo como uma Nelly super astuta.
Apesar de toda a “estranheza” típica da diretora — com direito a lamber paredes e fetiches visuais — o filme acerta em cheio na emoção. Quando rola o clássico “Beije-me, e que sejamos danados”, você sente aquele momento “maior que a vida” que só o cinema entrega. É uma bagunça, sim, mas uma bagunça irresistível que eu curti demais.
O que você prefere: uma adaptação fiel ao livro ou uma versão estilizada e moderna como essa?


