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“Honey, não.” é uma comédia de humor ácido e quem fez isso?

Finalmente consegui assistir ao novo filme de Ethan Coen, Honey, não (que chega ao
cinema no Brasil hoje com exclusividade da Cinesystem).

O filme tem uma ambição clara: recapturar a essência de um clássico dos Coen, aquele
thriller de dupla camada, recheado com uma boa dose de comédia. No entanto, o que
vemos é uma obra que parece ter sido feita pela “metade” dos Coen, o que, aliás, serve de
piada para o título.

Apesar de não ter sido escrito por nenhum dos irmãos, o filme tinha um potencial enorme. O
roteiro, na minha opinião, apenas precisava de um pouco mais de foco e afinação para
brilhar, especialmente na forma como as duas camadas do thriller se desenvolvem. Em
alguns momentos, a narrativa parece um pouco solta, e a conexão entre os sub-enredos
não é tão direta e imediata quanto gostaríamos.

Ainda assim, o filme é inegavelmente divertido. O humor não é aquele que arranca
gargalhadas altas, mas sim uma comédia mais sagaz e irônica. As tiradas e o timing cômico
realmente funcionam, tornando a experiência curiosa apesar do politicamente incorreto do
roteiro.

Visualmente, o filme opta por um estilo mais solto e descompromissado, com planos
abertos que trazem uma estética quase amadora. Embora isso possa não ser o ideal para a
tensão de um thriller, ele contribui para o tom descontraído e ácido que o filme busca.

A trama segue Honey interpretada por Margaret Qualley, uma detetive particular
investigando uma morte por acidente de carro de uma cliente, que ela suspeita ser um
crime. O filme traz Chris Evans (o “Capitão América”) no papel de um padre, que se
envolve em problemas “típicos” de um religioso. Aubrey Plaza também está no elenco, em
um papel surpreendente para quem só conhece seus trabalhos anteriores. Embora a
resolução não seja tão “apertada” ou “cristalina” quanto a de outros thrillers dos Coen, ela
faz sentido no contexto mais amplo da história.


Uma coisa que considero uma característica interessante na forma de filmar dos Irmãos
Coen é o uso de ângulos amplos para contar a história e como, durante uma conversa,
muitas vezes há algo acontecendo bem no fundo, atrás de um dos personagens, que quase
te tira da conversa. Você nota isso e pensa: “O que está acontecendo ali atrás?” Eles são
conhecidos por isso. Eu realmente aprecio a cinematografia no que diz respeito ao uso do
grande angular para que você possa ver o que está acontecendo. Essas distrações durante
a conversa são uma marca registrada que eu não vejo muitos diretores usarem hoje em dia,
e isso é muito legal.

No final das contas, “Honey,não” não é a obra-prima que se esperava ao lado de filmes
como Onde Os Fracos Não Têm Vez ou Fargo. No entanto, ele é totalmente carregado
pelas atuações incríveis do elenco. As performances são a força maior do filme e o que o
mantém de pé.

Mesmo com as falhas técnicas e de roteiro, eu realmente gostei do que vi. Definitivamente,
é um filme que merece ser conferido talvez até para matar a saudade de um humor já não
tão bem aceito no cinema mas que no fundo você sente falta.

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Cinne Vício

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