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Wicked: Parte dois… é exatamente aquilo que se esperava dele.

“E aí, cinnelovers! E chegamos ao segundo ato de Wicked nos cinemas. John M. Chu nos entrega Wicked: For Good, um filme que começa sem aquecimento, exatamente onde a primeira parte terminou, mergulhando na caçada a Elphaba (Cynthia Erivo) e no jogo duplo de Glinda (Ariana Grande). A expectativa era alta, mas o filme enfrenta um desafio: esticar o notoriamente mais fraco segundo ato da peça em quase duas horas e meia de tela, uma deficiência que as invenções visuais e musicais tentam, mas nem sempre conseguem disfarçar.

A atmosfera vibra com vingança, e a escuridão que nos envolve é, curiosamente, onde o filme encontra sua força, ao contrário do que se esperava. A construção do mundo é imersiva, com aquele verde esmeralda cintilante, e o roteiro acerta ao aprofundar as forças políticas de Oz, com direito a propagandas deepfake de Madame Morrible que soam incrivelmente atuais. 

Um momento muito aguardado na segunda parte da história é a revelação da identidade da Bruxa Má do Leste. Na peça teatral, essa revelação tem um impacto incômodo mas compreensível no segundo ato, mas, infelizmente, no filme, essa construção narrativa acabou passando despercebida, e até mesmo esquecida.

As performances de Erivo e Grande são, sem dúvida, o ponto alto. As cordas vocais dessas duas parecem de outro mundo, e números como “No Good Deed” são sensações cinematográficas que só uma tela de cinema pode te entregar. A atuação delas sustenta a complexidade emocional da amizade e a história adulta e impiedosa, que amarra toda a mitologia de Oz com uma mão leve e momentos de afeto.

No entanto, a tentativa de inserir um tom de comédia infantil (talvez para um lançamento de Natal) prejudica o impacto de alto risco que já vinha se apresentando nesse segundo ato. Cenas bobas como Madame Morrible caindo em um bolo de casamento afastam a seriedade, e o ritmo, embora às vezes ganhe força com fogo e agressividade, pode ser cortado e abrupto em outros momentos. O filme insere algumas músicas novas que parecem desnecessárias, e a infelizmente a conexão com o primeiro ato não salva a falta de impacto emocional que a peça de teatro original entregava de forma mais tensa e dilacerante.

No fim, “Wicked: Parte dois” é um filme esticado e, por vezes, ofegante. Embora tecnicamente brilhante e com atuações poderosas, ele não é consistentemente comovente. É um misto de melancolia e celebração, que nos lembra que a verdadeira magia de Oz, aquela que te deixa transformado de vez, talvez só resida no palco.”

 

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